quinta-feira, junho 17, 2004

Auto Análise (Carimbo de Infeliz)

Hoje enquanto saía do metrô e me dirigia até a PUC, irracionalmente, comecei a examinar meu estado mental. E não fiquei nada satisfeito com o que descobri. Tenho agora a terrível sensação de que estou apaixonado. Isso. Até apresento todos os sintomas óbvios. Palmas da mão molhadas, a quentura no estômago, a sensação geral de que a pele do peito é feita de elástico, e toda vez que lembro ou escuto a voz dela, tenho a sensação de que alguém passa aço quente na minha espinha.
Mais cedo ou mais tarde isso acontece com todo mundo.
Esse sentimento pode ser equiparado a algumas situações mundanas.
Tipo:
No bar, por exemplo, alguém nos empurra, e então - graças a algumas doses de alguma bebida forte, que agente nem lembra mais qual - nos viramos rapidamente e dirigimos alguns palavrões para (e percebemos isso pouco a pouco) a fivela do cinto de um homem que, mais do que nascido, parece ter sido talhado. O tipo de homem que faria um tigre realmente parecer um gatinho, e que quando se levanta, mais parece estar se desdobrando.
Ou um carro minúsculo corta o nosso, e aceleramos para mostrar o punho ao motorista metido que está – e isso fica evidente a medida que ele se levanta com mais três super garotas porque provavelmente estava “deitado” no banco de trás - fazendo coisas que você não faz a pelo menos uns três meses - e que ainda pagou pelo serviço.
Ou, pior ainda, em algum tipo de rebelião, quando lideramos colegas de luta até a cabine do capitão e batemos na porta. Ele mete a cabeça enorme pra fora com uma faca maior ainda que a cabeça em cada mão, e dizemos: “Vamos assumir o comando do navio, seu bosta, e os rapazes estão comigo!”. Ele pergunta, então: “Que rapazes?”. De repente sentimos um grande vazio atrás de nós, e dizemos “Hummm ...”.
Em outras palavras, é a famosa sensação de calor experimentada por qualquer pessoa que já tenha deixado as ondas da Raiva levá-la à praia da Desforra e se encontrar em um sarau com os demais sentimentos – entre eles, o Ódio tocando violão e o Amor fazendo duetos vocais com a Saudade. No grau que eu me encontro, a Sensatez já foi embora depois de brigar com a Sanidade. Por causa de uma aposta envolvendo o Carinho.
Ou seja, to fudido ....