domingo, março 06, 2005

Ensaio Agnóstico

O que é viver? Viver pra quê? Somos animais que usamos apenas 10% da capacidade de nosso cérebro (embora eu só tenha ouvido falar isso, ninguém nunca me provou) e vivemos baseados em ilusões e objetivos pré-estabelecidos por padrões que não sei se fazem algum sentido a não ser o de confortar e alienar a existência. Desde do início da história da humanidade até hoje o homem sempre foi predador de si mesmo, vivendo para satisfazer sua carne e suas necessidades momentâneas encontrando alegrias efêmeras. Existe no mundo das idéias, e com o intuito de ser combustível para a continuação da vida, a felicidade plena. Mas eu nunca soube de nada nem ninguém que tenha vivido tal utopia. Vamos pensar: o homem evoluiu da mesma célula que qualquer outro ser vivo encontrado hoje na face da terra; também é sem dúvida o homem o único ser que possui RAZÃO; isso porque pensamos e o nosso cérebro é tão complicado que ninguém será capaz de entender como ele funciona assim como um cão nunca vai entender como funciona seu metabolismo por mais simples que isso pareça. Então raciocinemos: daqui a alguns milhões (ou bilhões) de anos, nada impede que o cérebro de um cachorro tenha evoluído tal qual o dos homo sapiens. Daí então qual será nossa diferença? Temos em comum a emoção (ou alguém duvida do amor e do sentimento dos animais?) e teremos em comum também a razão, embora em nível absurdamente distinto... o que me leva a pensar que podemos não ser nada além de um aglomerado de átomos, formando células, compondo estruturas extremamente complexas, e que quando morrermos tudo isso se dissolverá na terra e nossa existência se extingüirá. O homem sempre foi prepotente e sempre defendeu suas idéias como verdades deixando de lado a humildade, sem pensar que a probabilidade de seres tão impotentes como nós estarmos errados é infinitamente maior do que a de estarmos certos. Nesse limite, onde se encerra a capacidade de nossa razão, entra a nossa fé... mas no que basear nossa fé? Na nossa limitada, logo inconfiável, razão?

Mas há algo em que ainda penso, e que não consegui chegar a uma conclusão que satisfaça meus anseios nem minhas exigências críticas. Falei muito em razão, mas de onde vem nossa emoção? Será que trata-se de reações químicas que se originam no cérebro e contagiam nosso corpo? Pode ser que desde nosso nascimento toda carga de informações, nossas experiências afetivas (família, amizades, amores), e toda cultura que vivemos ou que, de alguma forma, complementaram nossa identidade, sejam responsáveis por moldar nossos sentimentos, nosso lado afetivo, nosso lado "irracional". Mas se tudo isso for parte de nossa razão inconsciente, onde estaria então o motivo da dificuldade em ser abordada, continuamos não valendo nada! Morreremos e tudo virará material para formação de um novo aglomerado a existir na natureza, assim como peças de Lego; as mesmas peças que formam aquelas coisas lindas e complexas nas lojas de brinquedos são usadas para criarmos formas das mais simples e inocentes. Só que no final, tudo se resume a mesma coisa: peças que se desmancham e formam novas formas. Tudo isso parece perfeitamente racional e lógico! Existe outra possibilidade... a emoção pode ser completamente desconexa (podendo ser paralela) ao nosso lado irracional. Poderia ser uma evidência de nossa ligação a algo superior. Pode ser a garantia de vida perene, mesmo que em outras formas das quais não temos capacidade de desconfiar. Eis a base da fé, a nossa incapacidade de entender... É essa mesma emoção inexplicável que caracteriza o amor entre as pessoas e esse, incompreensivelmente mas comprovadamente, é capaz de operar "milagres" extraordinários!Mas toda fé que o homem tem vem de onde? Vem da cultura! E só da cultura! Vem da história de gerações! Só que nada disso pode ser provado, nem que sejamos complacentes! O homem, em sua história, cria esses conceitos para se defender, para tentar proteger a própria existência, para achar motivo pra continuar ao invés de simplesmente aceitar existir até toda essa agonia acabar. A cada passo que a ciência dá, fica cada vez mais provado que os milagres que conhecemos tem origem no próprio homem. Não só milagres como fenômenos paranormais, mediunidade, telepatias, "contatos" com mortos e outras coisas. Sim, o homem (cérebro) tem um grande potencial ainda inexplorado por ser inalcançável por si mesmo... que incapazes que somos! São tão incríveis os fenômenos do nosso cérebro que somos incapazes de percebermos que a origem e a causa está em nós. O que isso pode significar? Que estamos vivendo para completar mais um ciclo da natureza e nada mais. Se nossa vida continua graças a nossos sentimentos inexplicáveis, que poderia ser evidência de uma "alma", então gozam desses direitos todos os animais (até os que dizemos irracionais). Então até em vida eles deveriam ser tratados melhores. Vou aproveitar e citar um grande homem que existiu (e não sei se existe mais, a não ser na lembrança de outros homens e nos livros) e que percebeu algo muito genial. Trata-se de Charles Darwin e de sua Teoria da Evolução. Ele foi capaz de perceber a harmonia lógica que rege a natureza. Resumindo muito grosseiramente o que ele escreveu (me desculpem os que se ofenderem com isso, pois realmente é completamente incompleto): vive quem pode! Segundo ele, a natureza seleciona os seres com maior capacidade de se perpetuar. Isso é perfeitamente aceitável. Só que não coloco a natureza como sujeito e sim o ser (todo ele, não só o humano). O homem é o ser que mais se adapta ao mundo, logo é o que tem mais chance de continuar habitando o mundo, mais que qualquer outra espécie. Só que suas fraquezas, sua ganância, suas mesquinharias e egoísmos vão reverter esse lado. O homem, apesar de ter a maior capacidade de se adaptar (vivemos em florestas, em geleiras, em desertos e em grandes cidades), está acabando com a natureza, ou seja, está extingüindo seus recursos de sobrevivência. Claro que ele faz isso desde o momento em que passou a existir e com certeza não viveremos quando chegar a hora em que a natureza não conseguir mais sustentar o homem, porém essa hora vai chegar a não ser que o homem consiga habitar outro planeta pra começar a parasitar novamente sua natureza, ou que ele mude suas atitudes (hahaha). Mas se isso não ocorrer? Assim como os dinossauros, só restarão nossos fósseis sobre um planeta que não vou me comprometer a tentar descrever. Por que eu disse tudo isso de Darwin? Se for verdade, o que siginifica então nossa existência?

É praticamente impossível, depois de tantos pontos abordados, escrever uma frase que conclua tudo que foi dito. Aliás, todo o escrito pode ser resumido em: "E AÍ? E AGORA?". Existe um padrão de vida seguido pela grande maioria da sociedade, que é a de fazer parte da sociedade. Mas será esse o melhor remédio para atenuar os efeitos de nossa inútil existência? Será ela realmente inútil? Nunca teremos essa resposta, pelo menos não em vida... e em vida também não existe felicidade plena, pois esta seria perfeita, e não existe perfeição. Nem nas nossas idéias, pois estas são muito imperfeitas, incapazes de conceber conceito justo a respeito da perfeição. Parece que resta vivermos de felicidades passageiras... aquelas pelas quais lutamos durante um tempo muito maior do que o tempo que teremos para desfrutá-la... Mas pense: no futuro lembraremos muito mais da recompensa do que da luta, pois a batalha tempera o gosto da vitória! Parece que o que nos resta é nos conformarmos e seguir assim. Veja: JAMAIS PENSEI EM ME CONFORMAR COM ALGO! Mas preciso, nesse ponto da minha reflexão, ter a humildade de reconhecer que sou incapaz de ir adiante com meu raciocínio devido as limitações do ser humano! A partir de então resta a fé... se realmente não utilizamos toda potencialidade de nosso cérebro, ainda há esperança de existirem respostas muito mais positivas do que as possibilidades que especulei. Como disse um dos maiores gênios da humanidade: "É melhor ser otimista e estar errado do que ser pessimista e estar certo!". Será?